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19/01/2016 - Desconstruindo um artigo do Viva Rio
Veículo: Agência Viva Brasil / Veiculação: On-line
A última vez que o Rangel aceitou debater comigo foi em 2005, no debate oficial do referendo transmitido pela TV Band. Sendo assim, vamos fazer um debate virtual usando como base o seu último artigo publicado na Gazeta do Povo (http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/as-armas-e-o-erro-de-avaliacao-e4lzkaye9rc5zo5h7940yglww) . Lá vai!

RANGEL: Ao comentar as mortes de crianças nos frequentes massacres nos Estados Unidos, o presidente Obama foi às lágrimas. O homem mais poderoso do mundo revelava seu lado sensível e compaixão, provocando admiração e solidariedade. Afirmou que “não podemos deixar que esses massacres se tornem normais”.

BENE: Hum, vejamos... Se lágrimas definem uma pessoa de boas intenções o que podemos afirmar de Hitler que chorava copiosamente ao ouvir Wagner? Ou de Al Capone que também vertia lágrimas em abundância ao assistir óperas? Sem mais, meritíssimo!

RANGEL: Denunciou a chantagem da indústria de armas sobre o Congresso, que se recusa a votar o controle de armas, mas advertiu que “o povo não será mantido refém” da indústria. De fato, 85% da população é a favor de que as autoridades chequem os antecedentes de quem quer comprar arma. Obama pretende avançar no controle, tímido pelos padrões internacionais, através de decretos, proibindo a venda de armas de guerra para civis e criando bancos de dados sobre os proprietários.”

BENE: Chantagem? Que chantagem? O que ocorre lá é que políticos entendem plenamente o princípio da representatividade, ou seja, não foram eleitos para fazer o que lhes dá na cabeça ou se posicionar apenas pela sua própria ideologia. Ademais, com a queda sistemática dos índices criminais nos EUA, não há muito para se basear com objetivo se restringir a posse e o porte de armas de fogo nos EUA. Outro ponto é a obediência e o respeito à Constituição Americana, aquele “documento” que no Brasil parece um periódico de tantas mudanças que sofre. Mas claro, isso tudo é chantagem da NRA...

RANGEL: Nos Estados Unidos, a tecnologia já permite produzir as smart guns, armas que só disparam com a digital de seu proprietário. A indústria, porém, não acha lucrativa sua produção e, no entanto, fabrica armas coloridas para mulheres, para combinar com a cor do vestido. Inconformado, Obama cita Connecticut, onde o controle de armas reduziu os homicídios em 40%, e o Missouri, onde o descontrole aumentou essas mortes em 15%.”

BENE: As chamadas Smart Guns, que são armas que possuem mecanismos eletrônicos que impedem que alguém não autorizado as utilizem ainda estão muito longe de serem uma realidade. Por dois motivos muito simples: não são plenamente confiáveis e em um caso de emergência (durante um combate, por exemplo) impedem que outra pessoa a use, o que pode resultar em catástrofe.

BENE: Gostaria de saber de onde ele tirou a informação que Connecticut reduziu a criminalidade por conta de restrições. Aliás, que restrições? Há pouquíssimas restrições em vigor(1). A posse é garantida e o porte é plenamente possível com a obediência de alguns quesitos da lei, muito semelhantes em outros vários estados. Além do mais, Connecticut nunca teve grandes taxas de homicídios (2).

BENE: Missouri, de onde saiu essa elevação de 15% nos homicídios¿ Só pode ser da cabeça dele. O estado do Missouri sempre teve uma das mais altas taxas criminais dos EUA e isso é histórico envolvendo diversos fatores mas a verdade é que o estado tinha na década de 90 mais de 11 homicídios por 100 mil habitantes (3) e até 2014 tinha reduzido essa taxa para 6.6 mostrando assim que ao contrário do afirmado do artigo, houve uma enorme queda.

RANGEL: No Brasil, um projeto busca esvaziar a Lei de Controle de Armas (Estatuto do Desarmamento). Seus defensores citam os EUA como exemplo, “um país armado e com índices de morte mais baixos que o Brasil”. Onde está o erro de avaliação? Segundo pesquisa da Universidade de Stanford, são várias as causas da violência armada que se somam à proliferação de armas, como má distribuição de renda, corrupção policial, impunidade etc. Por isso, é necessário comparar os EUA às demais 36 nações desenvolvidas, entre as quais os EUA se destacam como a mais violenta. Sua taxa de homicídios por arma de fogo é de 10,2 por 100 mil habitantes, quando na Alemanha é de 1; na Grã-Bretanha, de 0,2; e no Japão, de 0,03, sendo que nos dois últimos países civis não podem ter arma de fogo. Os EUA são o país com mais alto índice de suicídios com arma de fogo do planeta (5,5), representando 57% do total de mortes dessa natureza.”

BENE: Lá vamos nós... Japão e Inglaterra como exemplos. A mais pura e velha balela desarmamentista. A população do Japão foi desarmada no século XVI (4) e sempre teve em seus histórico baixíssimos índices de homicídios. O motivo? Um código moral fortíssimo, uma lei penal extremamente rigorosa inclusive com pena de morte e um baixíssimo nível de impunidade. A Inglaterra também tem historicamente um baixíssimo número de homicídios e após o governo iniciar restrições todas as taxas cresceram. Isso fica comprovado no livro Violência e Armas: a experiência inglesa da historiadora Joyce Malcolm(5). O uso da Alemanha como exemplo foi um enorme tiro no pé e mostra o desconhecimento sobre o tema. No país há 25 milhões de armas nas mãos da população, uma taxa de 30,3 armas para cada 100 mil habitantes o que o coloca em 15º país mais armado do mundo(6)!

BENE: Outro número que não bate! Os EUA não possuem uma taxa de 10,2 homicídios com armas para cada 100 mil habitantes. O número verdadeiro é de apenas 3,4 por 100 mil de acordo com o Pew Research Center(6A)

BENE: A falácia, ou seja, sair de um preceito verdadeiro para chegar em uma conclusão absolutamente falsa, está na ausência de comparação entre a taxa de armas por habitantes nas 36 nações mais desenvolvidas. Tal análise mostraria que não existe nenhuma relação entre o número de armas e as taxas criminais. Por isso o articulista propositadamente esquece de citar a Suíça, a Finlândia e outros países que possuem grandes taxas de armamento em posse da população e são reinos de tranquilidade. A comparação mostra exatamente o contrário do pretendido, ou seja, o fator arma e inexpressivo na determinação das taxas de homicídios e outros crimes violentos. Se compararmos a Suíça com a Inglaterra isso fica claro. Um levantamento feito pelo jornal The Guardian mostra muito bem isso(6).

RANGEL: Quando o presidente Obama afirma não se conformar com os mass shootings, refere-se aos 355 massacres lá ocorridos no ano passado, muitos em escolas e igrejas. No Brasil, ao se liberar o porte de armas, como pretendem os parlamentares financiados pela indústria de armas, também será possível andar armado nos shoppings, escolas e praias. Eles alegam que “temos de usar armas na rua para nos defender”, quando sabemos que, de dez pessoas armadas assaltadas com armas, morrem oito, em média, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Nós, especialistas, sabemos que arma é boa para ataque, não para defesa, pois entra aí o fator surpresa, a favor do assaltante.”

BENE: Aqui a mentira é descarada e já foi desmascarada por mim no artigo intitulado “Massacre da Credibilidade” publicado em diversos jornais(7) que mostra a fonte desse número é… A própria imprensa! São notícias publicadas em jornais e sites americanos enviados pelos seus colaboradores. Imaginem a precisão e a confiabilidade de tais dados. Para termos uma pequena ideia do disparate numérico existente entre a realidade e o que vem sendo publicado, peguemos os dados levantados pela ONG Mother Jones, também favorável ao desarmamento, mas que usa os critérios e os dados oficiais do FBI que apontam que houve 73 ataques desde 1982, causando 581 mortes em 33 anos.

BENE: Dez pessoas armadas morrem 8... Não existe nenhum estudo que indique que isso seja verdade, nem aqui, nem nos EUA. Muito pelo contrário e demonstrei isso em meu artigo Defesa Com Armas Não É Um Mito (8) onde demonstro que Uma das únicas pesquisas comprovadamente sérias a este respeito foi realizada pela equipe do Dr. Gary Kleck, criminologista da Universidade Estadual da Flórida, que descobriu que armas são usadas em legitima defesa aproximadamente 2,5 milhões de vezes por ano nos EUA. Essa e outras conclusões estão no livro "Armed Resistance to Crime: The Prevalence and Nature of Self-Defense with a Gun".

RANGEL: Enquanto nos EUA se busca avançar no controle das armas, pelo projeto do lobby brasileiro, mesmo quem foi condenado por crime culposo poderá comprar arma. Os jovens, que morrem quatro vezes mais que os adultos, terão a idade mínima para comprar arma reduzida de 25 para 21 anos, aumentando o genocídio juvenil.

BENE: Crime culposo, ou seja, aquele onde não há intenção de delinquir! Nem preciso explicar mais nada. Interessante que o Rangel não fala sobre o “sucesso” da redução dos homicídios entre jovens no Brasil após o Estatuto do Desarmamento simplesmente porque não aconteceu! Desde 1980 o homicídio entre jovens cresceu 326,1% e esse crescimento ocorreu também na vigência da legislação atual(9)! Só para efeito de exemplo, nos últimos 10 anos - portanto em plena vigência do Estatuto – no Amazonas os homicídios entre os jovens praticamente dobrou (10).

RANGEL: Segundo o Ipea, antes da lei atual, os homicídios aumentavam em média 8,36% ao ano; depois da lei, crescem apenas 0,53%. Ainda um aumento que exige a reforma da segurança pública, e não a eliminação de uma lei que traz ótimos resultados, sob o pretexto de “aperfeiçoá-la”.

BENE: Ipea é aquele órgão governamental que “errou” ao afirmar que 56% dos homens acham justificável um estupro por conta da roupa que a mulher usa(11), também é o instituto que foi acusado por um ex-diretor de ter sido obrigado a mentir sobre resultados(12), que também acusou a operação Lava-Jato de ser a culpada pela crise de empregos no Brasil(13) e que ainda por cima afirma que o capitalismo é culpado pela corrupção(14). Plenamente confiável...

Entenderam por qual motivo ele nunca mais debateu?

(1) https://en.wikipedia.org/wiki/Gun_laws_in_Connecticut
(2) http://www.disastercenter.com/crime/ctcrime.htm
(3) http://www.disastercenter.com/crime/mocrimn.htm
(4) http://www.mvb.org.br/noticias/index.php?&action=showClip&clip12_cod=1452
(5) http://marcelocentenaro.blogspot.com.br/2014/12/violencia-e-armas-de-joyce-lee-malcolm.html
(6) http://www.theguardian.com/news/datablog/interactive/2012/jul/22/gun-ownership-homicides-map
(6A) http://www.pewresearch.org/fact-tank/2015/10/21/gun-homicides-steady-after-decline-in-90s-suicide-rate-edges-up/ft_15-10-13_gunviolence/
(7) http://www.dm.com.br/opiniao/2015/12/o-massacre-da-credibilidade.html
(8) http://www.expressomt.com.br/nacional-internacional/legitima-defesa-com-armas-nao-e-um-mito-133522.html
(9) http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2013-07-18/homicidios-de-jovens-crescem-3261-no-brasil-mostra-mapa-da-violencia
(10) http://www.mapadaviolencia.org.br/mapa2014_jovens.php
(11) http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/04/1435877-pesquisa-que-indica-apoio-a-ataques-a-mulheres-esta-errada-diz-ipea-so-26-concordam.shtml
(12) http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/07/1653594-ex-diretor-reafirma-proibicao-a-divulgacao-de-dados-na-eleicao.shtml
(13) http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/10/1699143-ipea-culpa-operacao-lava-jato-por-origem-da-crise-de-emprego-no-pais.shtml
(14) http://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergiomalbergier/2016/01/1729427-ipea-culpa-capitalismo-pela-corrupcao.shtml
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