(HOME) : Movimento Viva Brasil  Notícias
Share |




22/01/2016 - SEJA POBRE E NÃO REAJA
Veículo: Agência Viva Brasil / Veiculação: On-line
SEJA POBRE E NÃO REAJA

Bene Barbosa*

Em Washington, na sede da OEA, no último dia 14, o ministro da justiça culpou os esportes e jogos de vídeo games pela violência e que há uma grande necessidade de sensibilizar promotores e juízes dos males da “cultura do encarceramento”. Três dias depois, na Bahia, um criminoso reincidente esfaqueou um marinheiro até a morte durante um assalto. Em sua justificativa para o crime afirmou que todos sabem que não se deve reagir a assalto e que em quatro ou cinco anos ele estará fora da cadeia. Também na Bahia, no dia seguinte ao homicídio que estampou as capas de jornais daquele estado, o Chefe da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), José Geraldo dos Reis, culpou a “ostentação” pela criminalidade e afirma que o consumismo é muito pior que a pobreza.

Não é preciso ser especialista para perceber que há algo assustadoramente errado em tudo isso. Games, pobreza e reação da vítima são abordados e apontados como responsáveis pelo crime no Brasil, ao mesmo tempo em que o bandido é tratado como se fosse um ser autômato, desprovido de livre arbítrio, incapaz de fazer escolhas entre o certo e o errado. Em um discurso puramente rousseauniano e preconceituoso onde ora o pobre é um invejoso que não pode lidar com a “ostentação” dos mais abonados, ora é tratado de forma lombrosiana imputando-lhe a pecha de criminoso nato. Nada mais falso, mas se verdadeiro fosse, embasariam plenamente a ideia de que a punição não resolve, pois não se deve punir quem não é culpado.

Nos últimos anos o nordeste se tornou uma pedra no sapato desse pessoal. A região é a que mais se desenvolveu economicamente na última década, o que gerou a tal ostentação citada pelo secretário da Bahia e por outros, também foi a região que mais apoiou o desarmamento, seja no referendo sobre o tema em 2005, seja pela entrega voluntária de armas, seja ainda por ser a região com o menor número de armas registradas, uma clara anuência ao discurso do nunca reaja, pois é o Estado que tem que cuidar de você, mesmo com tudo isso a criminalidade violenta disparou.

Não restou alternativa senão adaptar o discurso adequando-o à ideologia dominante, acusando então não diretamente aqueles que não têm, mas sim aqueles que têm e ostentam voltando assim afirmar o que sempre afirmaram: a culpa é da desigualdade. Tal ideologia, nascida diretamente do livro “O Estado e a Revolução” de Wladimir Lênin, foi perfeitamente resumida por Benjamin Wiker em “10 Livros Que Estragaram o Mundo” (Brasil, 2015, Vide Editorial, capítulo 9, página 116): “G.K. Chesterton dizia que o comunismo acaba com os batedores de carteira porque antes acaba com carteiras. Isso foi bem generoso da parte dele. Na visão de Lênin, o homem que traja roupas com bolsos deve ser morto porque tem bolsos, o batedor de carteiras é que deve ser o carrasco e todos aqueles que estiverem assistindo à execução devem ser forçados a, dali em diante, só usarem roupas sem bolsos, senão serão mortos também.”

O bandido está plenamente justificado, seja pela existência dos bolsos, seja pela pobreza e resta para nós sermos pobres (ou pelo menos parecermos) e nunca reagir mesmo que nada disso signifique que você escapará ileso.

*Bene Barbosa é especialista em segurança pública, palestrante, possui mais de 100 artigos publicados na imprensa nacional e internacional e é autor do livro Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento.

AVISO: ESTE ARTIGO PODE SER LIVREMENTE DIVULGADO OU PUBLICADO DESDE QUE EM SUA ÍNTEGRA E RESPEITADA A AUTORIA.
Share |
     
     

Login Senha (?)