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22/01/2016 - Precisamos falar de violência
Veículo: Agência Viva Brasil / Veiculação: On-line
Precisamos falar de violência

Bene Barbosa*

O Brasil sofre com um grave problema de violência. As quinze cidades mais violentas do mundo. As duzentas cidades mais violentas do Brasil. A capital mais violenta do país... Quem nunca leu ou escutou tais afirmativas deve ter estado em hibernação nos últimos 20 anos. A palavra violência se tornou constante, repetida à exaustão, batida, martelada, gravada à ferro e fogo até que todos acreditassem que a violência era o problema do mundo e de países como o Brasil, sem qualquer preocupação em defini-la, aliás, fazendo questão que ninguém realmente entendesse o seu real significado.

Toda violência é ruim? Essa é uma pergunta que faço com frequência e quase sempre a resposta é positiva. Não foram poucas as vezes que abordei esse tema em minhas palestras, entrevistas e hangouts e hoje, assistindo a participação do Martim Vasques da Cunha no Bunker do Dio, pertencente a outro grande amigo Dionisius Amendola, que resolvi escrever esse texto.

O tema da entrevista feita no Bunker (e que pode ser assistida aqui: https://youtu.be/4RJa_RMRdXg) foi Stanley Kubrick e, claro, Laranja Mecânica não poderia ficar de fora. Assisti ao filme lá pelos meados da década de 80, ainda adolescente, repeti a dose alguns anos mais tarde e fiquei excepcionalmente feliz ao ver que o Dionisius e Martim chegaram à mesma conclusão que eu: o ser humano não pode e não deve ser privado da violência, ou melhor, de cometer violências e o Estado, na busca da não-violência, pode ser o mais cruel e violento ser de todos. Ao retirar do protagonista do filme a sua capacidade para violência, ele foi privado totalmente de sua liberdade, de seu livre arbítrio e até mesmo da possibilidade de se defender. Ao mesmo tempo em que o Estado preocupado em erradicar a violência não se sente nem um pouco constrangido em agregar essa mesma violência criminal ao aceitar outros membros da gang nos quadros da polícia. A mensagem é clara na obra: o Estado busca o monopólio da violência e não sua utópica erradicação, pois a violência é necessária.

Cabe agora a conceituação, mui superficial, da violência que de acordo com o dicionário Michaelis é qualquer força empregada contra a vontade, liberdade ou resistência de pessoa ou coisa. Em assim sendo, age com violência um bombeiro que arromba uma porta para salvar pessoas em um incêndio. Age de forma violenta o policial que algema um procurado. Age com violência um juiz que joga em uma cadeia superlotada um réu condenado. Age com violência o carcereiro que impede uma fuga de presos. Age com violência um cidadão que atira em quem lhe invade a casa com intenção criminal. Entenderam a coisa toda? Ao afirmar que violência é o problema estamos equiparando aquele que mata para salvar sua vida a aquele que tentou mata-lo para roubar.

Condenar a violência e imputar-lhe a culpa é inocentar o agente criminal, ou seja, o criminoso. É dar sustentação à trilogia esquerdista da (in)segurança pública onde a prisão não resolve, o criminoso é fruto da própria sociedade e o Estado deve ter o monopólio das armas. No final das contas é condenar socialmente o cidadão que compra uma arma de fogo para sua defesa apontando-lhe o dedo e gritando: você é violento e é tão culpado quanto o bandido!

*Bene Barbosa é especialista em segurança pública, palestrante, possui mais de 100 artigos publicados na imprensa nacional e internacional e é autor do livro Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento.

AVISO: ESTE ARTIGO PODE SER LIVREMENTE DIVULGADO OU PUBLICADO DESDE QUE EM SUA ÍNTEGRA E RESPEITADA A AUTORIA.
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